Ensino Fundamental

Avaliação: Uma Experiência de Aprendizagem e Formação

Na dinâmica escolar, a prática da avaliação é constantemente utilizada para definir a promoção ou retenção do educando. Entretanto, é de suma importância que essas duas atividades sejam analisadas de forma independente. O ato de avaliar diz respeito ao que os educandos e educadores fazem para aprender e ensinar, que estratégias utilizam, qual o pensamento lógico desenvolvido, quais os caminhos e metas alcançadas; enquanto a promoção julga apenas o resultado final, sem se preocupar com o processo.

Nosso corpo docente, embasado por estudos teóricos e motivado pela reflexão sobre o papel da escola e do educador, desenvolve uma prática de avaliação contínua e formativa. Nesse processo, entendemos a avaliação como um acompanhamento sistemático e individualizado dos educandos, considerado-os como únicos; portanto, com ritmos e experiências sócio-históricas diferentes.

Esse olhar, numa perspectiva da pedagogia das diferenças, possibilita a percepção do caminhar desse educando no processo ensino-aprendizagem, tornando possível o registro das conquistas e dificuldades ainda presentes e, assim, podermos criar novas estratégias para ajudar aos que ainda não superaram suas dificuldades. Colomer e Camps explicam que essa prática se dá numa concepção diferenciada acerca da avaliação:

Essa concepção, que costuma denominar de avaliação formativa, tem a dupla função de, por um lado, informar aos alunos como avançaram e em que ponto se encontram no processo de aquisição de conhecimentos e, por outro lado, dar subsídios aos professores para que possam ajustar suas programações e seus métodos a partir do que revelam os resultados da avaliação, se os objetivos previstos estão sendo alcançados ou não.(2002, p.172).

Tal prática se dá num processo de avaliação formativa, por contribuirmos com a formação e não com a exclusão do sujeito, como acontece nas práticas avaliativas classificatórias. Nesse processo construtivo, oportunizamos a autoavaliação por parte dos alunos sobre seu desempenho e apreensão dos conceitos trabalhados, para que eles tenham abertura para falarem “eu ainda não aprendi” e saberem que os educadores estarão sempre disponíveis para ajudá-los no processo do aprender a aprender e na superação das dificuldades ainda vigentes.

   
Realização de atividades diagnósticas

Inicialmente, fazemos uma avaliação diagnóstica para compreendermos como as crianças se encontram no que se refere aos aspectos cognitivo e socioafetivo. A partir da análise desse diagnóstico, educadores e orientadores pedagógicos planejam uma sequência didática a partir dos seguintes questionamentos: “Que aspectos devem ser fortalecidos?”, “Que conteúdos precisam ser revisados?”, “Que conceitos já foram apreendidos?” e “Quais os novos desafios a serem lançados?”. A partir dessas diretrizes definidas, o educador passa,a acompanhar a aprendizagem do aluno.

   
Momentos de mediação com as educadoras

Com um olhar mediador, realizamos constantes e atentas observações, registramos e refletimos sobre as experiências, individuais e coletivas, vivenciadas nos momentos de construção do conhecimento. Dessa maneira, percebemos o desenvolvimento das crianças quanto aos conteúdos conceituais, atitudinais e procedimentais.

Os educadores possuem um caderno de registros para os desenvolvimentos socioafetivo e cognitivo dos educandos, como também para os encontros com os pais. Neste caderno, são registradas as percepções sobre as crianças, as orientações dadas aos familiares, assim como as observações que julgamos importantes ao processo ensino-aprendizagem.


Registro do desenvolvimento socioafetivo e cognitivo dos educandos

Levando em consideração o processo de construção do conhecimento do educando, optamos por não trabalhar com notas ou conceitos nos cinco primeiros anos do Ensino Fundamental, pois a nota faz a classificação do aluno em um momento específico, sem levar em consideração o processo por ele vivenciado. Diante disso, fizemos a escolha pelos portfólios.

Segundo SHORES (2001), o portfólio pode ser definido como uma coleção de itens que revela, conforme o tempo passa, os diferentes aspectos do crescimento e do desenvolvimento de cada criança. Por isso, ao longo do ano, organizamos o portfólio demonstrativo com amostras representativas do trabalho desenvolvido, que evidenciarão os avanços importantes ou dificuldades persistentes.

A gama de material que demonstra a aprendizagem é organizada pelas crianças em uma pasta colecionadora grande. Ela é fixada na estante da sala de aula para o manuseio das crianças e da professora. Também é socializada com os pais, ao final de cada projeto desenvolvido. Com isso, os familiares poderão acompanhar o processo de aprendizagem das crianças.

Ao final de cada semestre, todos os educandos recebem um Relatório Individual. Com o término do ano letivo, realizamos a promoção ou não do aluno, a partir da análise do seu processo de ensino-aprendizagem.

Vejamos umas imagens que mostram alguns portfólios e a sua disposição em sala de aula:

   
Vejamos também alguns relatos das crianças sobre a experiência com os portfólios:

“O portfólio é importante! Nele, tem todas as nossas tarefas e autoavaliações”. (Amanda)

“O portfólio é importante, ele é diferente das provas, pois não tem notas. É uma avaliação da criança no decorrer do trimestre, sendo melhor que a nota, pois evita a competição e o medo”. (Maria Clara)

“O portfólio é melhor do que a prova! Quando eu fazia prova, estudava no dia da prova e ficava nervosa. Agora, estudo todos os dias, e no meu portfólio tem tudo o que eu aprendi. As minhas atividades são feitas sem medo, pois eu sei que estou aqui para aprender e ele alivia o estresse dos alunos”. (Thiago)

Ana Catarina Pinheiro de Castroe Marcilene Paulino da Silva
Orientadoras Pedagógicas do Ensino Fundamental I

Referências Bibliográficas

COLOMER, Teresa; CAMPOS, Anna. Ensinar a ler, ensinar a compreender. Trad.Fátima Murad. Porto Alegre: Artmed, 2002.