Formação Continuada - Uma Relação Dialógica entre Teoria e Prática Pedagógica
O aprender contínuo é essencial em nossa profissão. Ele deve se concentrar em dois pilares: a própria pessoa do professor, como agente, e a escola como lugar de crescimento profissional permanente.
Antônio Nóvoa
O ofício de ser educador exige a compreensão dos saberes necessários à prática educativa, competência fundamental ao exercício da atividade docente. Essa competência abrange o conhecimento teórico e sua interação com o saber fazer, estabelecendo-se um elo dialógico no qual o educador realizará a tríade pedagógica – reflexão/ação/reflexão - tomando consciência do seu fazer, observando, constantemente, a sua atuação com os educandos, no processo de ensino e aprendizagem.
Para tanto, é necessário que o educador reflita constantemente sobre a sua prática, respaldado numa teoria, formando-se como um educador, aprendendo a refletir, não somente a posteriori, mas no momento da ação, como postula Freire (2001 p.43): “A prática docente crítica, implicante do pensar certo, envolve o movimento dinâmico, dialético, entre o fazer e o pensar sobre o fazer”. As relações que perpassam o papel do educador decorrem da sua competência para compreender a unidade entre fundamentação teórica e prática, entendendo que elas são indissociáveis para o processo de formação continuada e para a mediação docente.
Nesse processo de formação, o profissional da educação utiliza seu conhecimento para agir e interagir com o educando. Observamos que a relação entre os saberes e os fazeres, no âmbito educacional, dá-se pela abertura da instituição em apropriar-se do seu papel de formadora de educadores-educandos, assumindo a continuidade da formação com o objetivo de desenvolver novas competências profissionais. No dizer de Charlier (2001): “A formação é um elemento de desenvolvimento pessoal e profissional do professor, mas ela também faz parte do investimento das instituições escolares, por estas atuarem como disseminadoras educativas”. Essa formação garante um grande salto qualitativo no desempenho da equipe docente e, consequentemente, do alunado, tornando possível, na Escola, o desenvolvimento de laboratórios pedagógicos, dos quais participam educadores, educandos e formadores em um contínuo processo de reflexão e construção de novos conhecimentos.
A prática pedagógica, desenvolvida no Centro de Educação Integrada, com educadores do Ensino Fundamental I, decorre desses princípios de formação continuada. Dessa forma, é importante investir nos profissionais, oportunizando cursos, ciclos de estudo, participação em congressos, pondo à disposição os recursos didático-pedagógicos necessários.
A capacitação dos formadores subsidia o processo formativo dos educadores, no que se refere à reflexão e à construção da relação teoria-prática pedagógica e, consequentemente, à elaboração de alternativas metodológicas para a atuação em sala de aula. Tal processo acontece na nossa Escola, a partir da reflexão e troca entre educadores sobre conhecimentos, experiências construídas na formação acadêmica e na prática profissional. Como postula Nóvoa (1997, p.26): “A troca de saberes possibilita a formação mútua, nos quais cada professor é chamado a vivenciar, simultaneamente, o papel de formador e formando”.
Essa relação é perceptível nos encontros que acontecem, mensalmente, denominados de Dia Especial, pois proporcionam a reflexão sobre os saberes e fazeres dos educadores. A cada encontro, fazemos estudos e discutimos a aplicação desses conhecimentos, refletimos, também, sobre as experiências que não obtiveram sucesso e sobre novas possibilidades didático-pedagógicas para atuarmos junto aos educandos. A Escola possibilita, também, encontros semanais, para planejarmos e discutirmos, em equipe, a atividade e prática docente semanal. Nesses encontros, registramos, no caderno de plano, as orientações para o desenvolvimento dos projetos de cada equipe de ensino. A cada novo encontro, o plano é revisto, para sabermos as modificações realizadas por cada educador, visto que consideramos essa atividade como flexível.
De acordo com Nóvoa, esses momentos estimulam uma postura crítico-reflexiva, fornecendo, aos educadores, os meios para um pensamento autônomo e facilitador da dinâmica de autoformação participada. Assim, acreditamos que estamos num verdadeiro laboratório pedagógico, pois, constantemente, fazemos experiências e descobrimos práticas relevantes, oportunas e caminhos para responder às nossas inquietações pedagógicas.
A dinâmica formativa permite vivenciar o respeito aos educadores, mantendo uma relação de confiança e aceitabilidade, considerando seus pontos de vista e ajudando-os a encontrar respostas. Essa atitude deve atravessar, também, a prática na sala de aula com os educandos, como considera Freire (2001, p.67): “Saber que devo respeitar a autonomia e a identidade do educando exige de mim uma prática em tudo coerente com este saber”. Tal postura deve inserir-se em toda a prática formativa, para que se disseminem, na sala de aula, as relações de respeito às diferenças e ritmos do educando.
Na proposta de formação dos profissionais, oportunizamos, também, o desenvolvimento de encontro, no período de recesso escolar, denominado de Semana Pedagógica. Nesse encontro, discutimos temas relacionados às observações que fizemos ao longo do semestre, além de novos estudos relativos à nossa formação. Percebemos, a partir da análise dos comentários dos educadores transcritos a seguir, que esses momentos são relevantes, no que se referem ao crescimento da equipe e à produção de novas orientações didático-pedagógicas.
Investir em formação continuada é acreditar no crescimento do profissional. É ter consciência de que a capacitação dos professores é o primeiro passo para se alcançar resultados verdadeiramente significativos.
A formação que recebemos no CEI nos oportuniza mais do que momentos de estudo, mas, principalmente, nos possibilita um maior contato com as teorias da educação, com materiais didáticos diversos e com discussões que nos fazem crescer enquanto profissionais. É assim que se faz uma educação de qualidade com colaboradores cada vez mais preparados, seguros e realizados. (Profª.Nadja Priscila)
No atual contexto mundial de evolução científica e de globalização, compreendo que se faz imprescindível a contínua formação dos profissionais em todas as áreas, para que os mesmos possam atender com excelência às necessidades da sociedade que surgem em todos os âmbitos.
Sendo assim, o profissional da educação necessita estar constantemente buscando se formar e se informar com o intuito de aperfeiçoar cada vez mais o seu trabalho e contribuir de maneira significativa para os avanços sociais e, especificamente, para o desempenho pleno das capacidades do seu alunado.
Diante do exposto, considero o trabalho de formação continuada, realizado no Centro de Educação Integrada, de fundamental importância para o desempenho profissional de todos que fazem essa escola.
O que diz respeito ao meu trabalho, percebo que esses momentos de formação têm contribuído significativamente para o aprimoramento e ressignificação da minha prática cotidiana. A cada estudo, reflexão e intervenção da equipe da orientação pedagógica, descortinamos caminhos que nos levam aos objetivos traçados em nosso fazer pedagógico em relação ao ensino e à aprendizagem dos que estão envolvidos nesse processo. (Profª Ana Lúcia)
Ana Catarina Pinheiro de Castro e Marcilene Paulino da Silva
Orientadoras Pedagógicas do Ensino Fundamental I
Referências Bibliográficas
CHARLIER, Évelyne. Formar professores profissionais para uma formação contínua articulada. In Léopold Paquay. Formando professores profissionais: quais estratégias? Quais competências?. Trad. Fátima Murad e Eunice Gruman. 2.ed. rev. Porto Alegre: Artmed, 2001
NOVOA, A.(coord.). Os professores e a sua formação. 3.ed. Lisboa/Portugal: Instituto de inovação educacional Publicações Dom Quixote, 1997. (Temas de educação – 1).
FREIRE,Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 2001. (Leitura).
