O Ensino Médio no CEI
O Ensino Médio, iniciado em 1996, surgiu da necessidade de ampliar os serviços educacionais. Ademais, ocorreram solicitações, por parte dos pais, para que a escola expandisse a sua oferta educacional, completando a formação básica. Urgia, então, oferecer uma educação de qualidade também para outro nível de ensino.
A aprendizagem, na escola, coloca-se no centro do processo educativo, implicando, pois, a utilização dos recursos disponíveis para a motivação dos alunos e a sua participação. A proposta pedagógica no Ensino Médio se orienta para mobilizar os componentes da personalidade do educando, seus motivos, interesses, as relações com o grupo, procurando e oferecendo um sentido pessoal/social à sua aprendizagem.
O Centro de Educação Integrada tem assumido, através de um projeto educacional mais amplo, a função de co-participante na apropriação do conhecimento socialmente produzido, numa tentativa de responder, criticamente, às demandas sociais. A proposta, em razão disso, tem um currículo pautado na formação integral do aluno, através da qual os conteúdos e o seu tratamento metodológico exercem papel pedagógico central. O esforço é no sentido de que esses conteúdos sejam compreendidos dentro da visão histórica, cultural e científica. A formação dos conceitos é conduzida como construção ativa dos alunos, cujo saber fazer é uma constante nos projetos de ensino.
O Ensino Médio tem como finalidade aprofundar os conhecimentos adquiridos no Ensino Fundamental e fornecer ao aluno meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores. Assim, no Ensino Médio do CEI, incluímos, entre outros, os seguintes direcionamentos:
- orientar a educação, com base em princípios que consideram os diferentes tipos de saberes escolares, como parte das culturas local e universal, para fornecer aos alunos ferramentas que possibilitem o exercício de sua cidadania;
- contribuir na formação do educando, dando condições para que se torne mais crítico e consciente, para contribuir, positivamente, com a história do seu tempo e para que domine novas tecnologias, refletindo sobre a utilização delas, de forma mais correta e humana;
- criar condições de, convivendo com o outro e analisando a sociedade, os alunos adquirirem capacidades para integrar-se ao mundo do trabalho, para continuar aprendendo e para seguir níveis mais complexos de conhecimentos.
No CEI, a educação do aluno está centrada no componente científico (conteúdos escolares), mas se vincula com outras experiências, como as da cultura popular, que são parte dessa formação integral. Essa abordagem encontra na diversidade cultural e na interdisciplinaridade uma prática escolar que possibilita a formação dos conceitos, a compreensão dos fenômenos sociais e naturais, na perspectiva de sua totalidade, aproximando a lógica do trabalho escolar à lógica da vida.
Compreende-se também que a organização do pensamento não deve ser fragmentada; por isso se busca uma paulatina complexidade, através da investigação e contextualização do saber, uma vez que os conteúdos escolares transformam-se em ferramentas para a leitura crítica da realidade, o que permite a participação ativa e consciente dos alunos.
Como parte da concepção do “Educando para o pensar”, o Ensino Médio do CEI oportuniza para seus alunos Grupos de Estudos, com o objetivo de auxiliá-los em suas dificuldades nas disciplinas de Física, Química e Matemática. Para os que apresentam bom desempenho nestas disciplinas, é desenvolvido o Programa de Estudos Avançados. Além disso, é oferecida a orientação profissional, orientação educacional e psicológica aos alunos. Para planejar essas intervenções, aulas regulares, projetos, eventos e programas específicos da escola, há o planejamento semanal e conjunto das equipes pedagógica e docente. Durante o planejamento semanal, professores e equipe pedagógica, além de decidirem o ensino e estratégias de trabalho, discutem as dificuldades apresentadas pelos alunos, visando auxiliá-los.
O trabalho de orientação profissional objetiva que os discentes pensem sobre a sua escolha profissional, relacionando-a com sua história e considerando-a como um processo de desenvolvimento pessoal. Ao longo dessa atividade, são oferecidas informações sobre as profissões, as universidades e o mundo do trabalho, além de se possibilitar um espaço de expressão de sentimentos, dúvidas, angústias. O trabalho de orientação educacional é realizado de acordo com as necessidades específicas de cada turma, a partir das observações do corpo docente e das problemáticas levantadas pelos alunos. São abordados temas referentes a relacionamento em grupo, drogas, sexualidade, cidadania, hábitos de estudo, entre outros.
Programa de Formação Continuada
As pessoas arrumam tempo para as coisas que compreendem, às quais atribuem sentido e nas quais acreditam. (LIBÂNEO)
A idéia central da formação continuada é pautada pela participação do professor na organização e gestão do trabalho escolar. A escola é um campo fértil onde o professor vai desenvolver habilidades, tais como: tomar decisões coletivamente, formular o projeto pedagógico, compartilhar com os colegas as experiências vivenciadas em sala de aula, desenvolver o espírito de solidariedade, assumir coletivamente a responsabilidade pela escola, investir no seu desenvolvimento profissional, ou seja, aperfeiçoar os desempenhos.
Mesmo sabendo que os professores desenvolvem a sua profissionalidade primeiramente na sua história pessoal como aluno, na formação inicial, nos estágios e em outras atividades desenvolvidas durante a graduação, não se pode esquecer que eles aprendem muito, compartilhando sua prática e situações cotidianas, no contexto do trabalho. É no exercício do trabalho que, de fato, o professor produz sua profissionalidade. Colocar a escola como local de aprendizagem da profissão de professor significa entender que é nela que o professor desenvolve os saberes e as competências do ensinar, mediante um processo, ao mesmo tempo, individual e coletivo.
Propõe-se, assim, uma formação profissional baseada na articulação entre a prática e a reflexão sobre a prática. Desse modo, o professor vai-se transformando em um profissional crítico reflexivo, isto é, um profissional que domina uma prática reflexiva. A formação de professores, nessa tendência reflexiva adotada na escola, configura-se como uma política de valorização do desenvolvimento pessoal-profissional, uma vez que supõe condições de trabalho propiciadoras da formação, nos locais de trabalho, em redes de autoformação, e em parcerias.
Na era da informatização, novos desafios são lançados aos profissionais das mais diversas áreas do saber. Nessa perspectiva, a necessidade de qualificação profissional vem se transformando em consenso, sobretudo porque novos conhecimentos proporcionam novas teorias, e essas novas concepções teóricas tendem a se comunicar dialeticamente com as práticas exercidas nas diferentes profissões.
Sob essa ótica, as reuniões pedagógicas semanais, institucionalizadas, podem viabilizar discussões coletivas no decorrer das quais o professor redireciona a própria prática. Mais ainda: por meio deste redirecionamento, aprofunda questões problematizadoras, desenvolvendo uma atitude crítico-reflexiva. Em outras palavras, o docente tem condições de avaliar e reavaliar-se, já que, ao compartilhar a profissão, desenvolve competências do ensinar. Ora, desenvolvendo-as, forma-se continuamente – pressuposto indispensável para que concretize transformações significativas na sala de aula.
Pensando nessa necessidade urgente de uma constante formação profissional, o Centro de Educação Integrada mantém para os seus professores de Ensino Médio um programa de formação continuada. Busca solidificar uma equipe de trabalho autêntica, coesa e interativa que reflita sobre as várias mudanças e os tantos desafios colocados no dia-a-dia aos profissionais.
São realizadas reuniões mensais com todo o corpo docente, incluindo coordenação pedagógica e professores orientadores de disciplinas. Com isso, busca-se “parar” para refletir sobre o trabalho em sala de aula, de maneira a perceber as atitudes tomadas e as dificuldades encontradas. Nesses momentos, então, os profissionais revisam a negociação dos conteúdos entre colegas da área de conhecimento, refletem crítica e coletivamente a prática pedagógica, analisam e concretizam os critérios de avaliação do ensino e da aprendizagem.
A reunião torna-se, pois, um espaço privilegiado para compartilhar saberes e mediações adequadas entre as ciências de referência com as quais trabalham os professores e os saberes pedagógicos (o saber-fazer do cotidiano da sala de aula). Pensando assim, é neste espaço de formação – a reunião pedagógica – que os conhecimentos teóricos e práticos são tratados e partilhados. Objetivamos oportunizar um espaço para reflexão, troca de experiências e aperfeiçoamento docente, assim como o planejamento e a avaliação do conjunto de ações didáticas a serem desenvolvidas.
Entre os objetivos específicos de um plano de formação continuada para o corpo docente e equipe pedagógica, podem ser citados:
- favorecer a organização de uma estrutura e de uma rotina para os encontros de reflexão;
- planejar e avaliar coletivamente as ações didáticas a serem desenvolvidas;
- aprofundar temas de interesse do grupo;
- desenvolver habilidades nas dimensões pessoais;
- promover uma maior coesão e unidade do grupo;
- realizar troca de experiências construídas a partir da prática em sala de aula;
- possibilitar um espaço para o desenvolvimento da percepção de si e do outro;
- ter a prática pedagógica como referência para, em seguida, fazer uma reflexão sobre ela, de maneira mais próxima e particularizada.
A organização do tempo e da rotina de reflexão requer que professores e coordenadores desenvolvam habilidades e metodologias que garantam uma crescente comunicação, manifestando dúvidas, dificuldades, problemas, bem como acertos e descobertas. O clima de confiança para discussão de acertos e erros deve ser enriquecido com a possibilidade de registro dos saberes elaborados por diferentes grupos de educadores.
Os momentos de reflexão na escola, lugar para crescimento profissional, representam uma conquista, oportunidade para a construção de projetos, para formação pessoal e profissional e significa o espaço de autoria e compreensão da própria experiência docente.
Programa de Formação Ético-Social
O Ensino Médio representa uma das fases mais importantes da educação formal. O que torna essa etapa especial é a sua condição de interface entre o aluno adolescente e o jovem cidadão, já começando a viver as prerrogativas e as consequências da vida adulta. É tempo de experiências que embasarão as futuras escolhas e decisões, é tempo de lançar projetos pessoais, de desenvolver responsabilidades.
O Ensino Médio é composto por adolescentes entre 14 e 18 anos, que estão no ápice do processo de formação da identidade. Dessa forma, já têm suas condutas e valores alicerçados, interiorizados e definidos. A Organização Mundial da Saúde define a adolescência como o período da vida a partir do aparecimento das características sexuais secundárias, do desenvolvimento de processos psicológicos e de padrões de identificação que evoluem da fase infantil para a adulta e pela transmissão de um estado de dependência para outro de relativa autonomia. Considera-se como adolescência o período de 10 a 19 anos, distingue-se ainda a adolescência inicial (10 a 14 anos) e a adolescência final (15 a 19 anos). Por juventude, entende-se o período compreendido entre 15 e 24 anos.
A adolescência e suas significações estão cada vez mais nas discussões, nos estudos, nas pesquisas e nas reflexões dos educadores. Diversas áreas estão destacadamente envolvidas no debate, com suas especificidades, além de que, hoje, esta fase da vida é uma preocupação de toda sociedade. Nessa ótica, pretende-se trabalhar focalizando a construção de um projeto de vida, de modo que esses alunos possam “repensar” sua formação, sua existência e suas atitudes como cidadãos.
É sabido, neste caso, que a construção de um projeto de vida é a instância final de um projeto de desenvolvimento pessoal e social. Entende-se que um projeto de vida é um trajeto de etapa que contém não só uma visão de futuro, mas o compromisso com o presente e a relação com o passado. O projeto de vida envolve as dimensões profissionais, afetivas e cívicas; enfim, é necessário à definição de um lugar na sociedade e no mundo.
Objetivo
Propor uma pedagogia para trazer de volta o traço subjetivo ao ensino, torná-lo motivador e vivo para que o discente se nutra de valores e haja uma reintegração da ciência à vida, de forma a desenvolver um trabalho – junto aos alunos – que tenha como alcance maior o desenvolvimento de um projeto de vida.
Etapas do projeto
- Diagnóstico situacional do aluno: poder conhecê-los melhor a partir de reflexões, tais como: quem eu sou, quais são os meus gostos, interesses e valores.
- Trabalhar a afetividade: facilitar a integração da turma para que ela se sinta à vontade para discutir temas, tais como: a adolescência, sexualidade, relações familiares e interpessoais, auto-estima, comportamentos auto-destrutivos e drogas.
- Trabalhar a cidadania: discutir temas como política, voluntariado, desigualdade social e violência. Será desenvolvido paralelamente um trabalho com os líderes e vice-líderes de turmas e os representantes do grêmio, de modo a abordar liderança e assuntos afins, além de acompanhá-los em suas idéias e decisões, possibilitando uma boa articulação entre alunos e coordenação.
- Analisar as profissões: desenvolver o projeto de orientação profissional através de encontros semanais com o grupo de alunos dos 2° e 3° anos, a fim de se trabalhar a escolha da profissão, angústias, interesses e aptidões. Realiza-se também a semana das profissões para os alunos de todo o Ensino Médio, a partir do depoimento de profissionais e estudantes que estão concluindo os mais variados cursos da universidade (principalmente os ex-alunos da escola), para falar sobre o curso, o mercado de trabalho e o dia-a-dia do profissional.
Proposta Metodológica
Trabalhar os temas acima citados através de oficinas temáticas, discussões e rodas de conversa. As discussões e rodas de conversa são realizadas no decorrer das aulas de Filosofia e Sociologia, para os alunos de 1° e 2° anos, sendo dirigidas pelo professor. Paralelamente, serão realizadas oficinas temáticas em horários extras, sendo facilitadas pela psicóloga e grupos de apoio aos alunos de 2° e 3° anos.
