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BRASIL: ANSEIO POR ÉTICA, JUSTIÇA E CIDADANIA

    Quando as pessoas falam a palavra Brasil, assim, como substantivo próprio, geralmente elas proferem como se fosse algo abstrato, fora de si, distante, mas presente. Olha-se a ação dos políticos, dos nomes mais populares do País, e a conclusão a que se chega é a aterradora certeza de que somos um povo que carece de ética, o que impede o florescimento da justiça e, consequentemente, barra a verdadeira cidadania.

    Cotidianamente, chegam-nos, pelos jornais e mídias como um todo, mais e mais fatos que nos fazem ter certeza de que há algo errado com o País. Quando aparece uma boa notícia, é a verdadeira exceção à regra. Sentimos, com isso, um clamor profuso em nossa mente e em nosso peito, para que a transformação desse cenário seja rápida e pungente.  O que fazer, então? Vamos pensar.

    Precisamos de uma revolução! Entendo o termo revolução como sendo uma mudança brusca, profunda e permanente de uma realidade exposta. Carecemos de ética, de justiça e de cidadania. Precisamos ser rápidos, impiedosos e profícuos. Uma revolução só logrará êxito se todos os participantes se entregarem de corpo e alma ao projeto, sem temer qualquer consequência, até que o objetivo seja alcançado. Não devem pensar individualmente, mas sim coletivamente, permitindo que o raio de ação seja o mais amplo possível. Ok, posto isso, por onde e quando começamos? Como fazer uma revolução no campo da ética, da justiça e da cidadania?

    Bom, vocês devem estar pensando: vamos tirar os políticos corruptos! Esse é o primeiro passo! Vamos prender todos os criminosos e acabar com a impunidade! Vamos caçar toda e qualquer pessoa má! Aí é onde mora nosso maior problema. Para uma revolução acontecer, deve vir de todos os lugares e deve começar em algum ponto, certo? Então, comece com você! Com seus filhos, seus amigos etc. Temos o péssimo hábito de dicotomizar a sociedade, dividi-la em bons e maus. Se pago meus impostos, se tenho um emprego, se tenho família, sou bom. Os outros são maus. O inferno são os outros, como disse Sartre. É como se a sociedade fosse dividida entre os lobos maus (eles) e os cordeiros (nós). É aí onde colocamos aquele Brasil que citei ao introduzir, como se não fizéssemos parte do mesmo país. Quando falamos que o Brasil carece de ética, estamos inseridos nele, o prejuízo é nosso também, e o pior, pode estar sendo causado por nós mesmos, nas pequenas ações do cotidiano, que gostamos de disfarçar com “cada caso é um caso”. Outro problema é a relativização da ação, como se o que acontecesse comigo fosse somente idiossincrático, não devesse ser aplicado aos demais. Como todos relativizam, os erros se tornam as regras, nunca a exceção. Vamos a alguns exemplos de situações cotidianas que fogem à ética e nas quais podemos ser agentes: beber e dirigir (todos concordam com a lei, mas todos procuram se justificar numa blitz); estacionar em local proibido (afinal, a culpa não é minha se, em nossa cidade, não tem espaço suficiente); tentar passar à frente no banco fingindo gravidez ou alguma doença (mas o problema é que as filas são muito demoradas); parar em faixa dupla e ligar o pisca-alerta (como se o pisca-alerta abonasse a pessoa de todas as leis de trânsito e do bom senso); não ouvir, de fato, as pessoas (apenas esperar a vez de falar); comprar ou baixar produtos piratas (óbvio! Os originais são impagáveis); falar mal do colega de trabalho (é apenas minha opinião e a pessoa que ouviu é amiga); não respeitar idosos e/ou deficientes (apenas tolerá-los) etc. Claro que tem muito mais. Nossa revolução só vai acontecer se todos – você, eu e cada um – fizerem a sua parte agora. E depois vamos para cima dos políticos corruptos e dos demais problemas.  Vai ser difícil, mas pelo menos abrirá caminhos para que as futuras gerações não conheçam a frase “Isso só acontece no Brasil”.

    O filósofo alemão Immanuel Kant afirmava, em seus estudos sobre ética, um princípio denominado imperativo categórico, o qual declarava que, se todos fizerem o que DEVEM fazer, visando ao correto, uma sociedade se torna grande. E a justiça e a cidadania? Ajustam-se na medida em que fizermos uma revolução ética em nós. Avante! Eis a proposta, então.

 

Professor Maurício Alves Bezerra Júnior